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PercussãoTradicionais

Berimbau

instrumento musical de cordas percutidas

Berimbau é um instrumento musical da família tradicionais, com características próprias de construção, execução e contexto histórico.

Ver na Wikipédia
Berimbau
Família
Tradicionais
Categoria
Percussão
Origem
Brasil
Período
tradicional
Sobre o instrumento

Conheça Berimbau

O berimbau(português brasileiro) ou hungo(português angolano) é um instrumento de corda com origem em Angola e tradicional da Bahia.

História e conhecimento

Mais sobre Berimbau

Etimologia

"Berimbau" origina-se do termo quimbundo mbirimbau . [ 4 ] "Urucungo" origina-se do termo quimbundo ri'kungu , que significa "cova". É uma referência à cavidade do berimbau. [ 5 ] Também conhecido como berimbau de peito em Portugal e hungu na África . No sul de Moçambique , tem o nome de xitende . É também conhecido entre os angolanos como m'bolumbumba , e utilizado pelos ambundos , ovambos , nhaneca-humbes e coissãs . [ 6 ]

Descrição

Partes de um berimbau É constituído por uma vara em arco, de madeira ou verga, com comprimento aproximado de 1,50 metros a 1,70 metros e um fio de aço (arame) preso nas extremidades da vara. Na sua base, é amarrada uma cabaça ( Lagenaria siceraria ) ou um coité (da planta Crescentia cujete ), sendo mais comum a cabaça com o fundo cortado, que funciona como caixa de ressonância. O tocador de hungo usa a mão esquerda para sustentar o conjunto e pratica um movimentos de vai e vem contra o ventre, utilizando uma pedra ou uma moeda (dobrão), para pressionar o fio. A mão direita, com uma varinha, percute a corda. É usado, também, o caxixi, que é um pequeno chocalho preso aos dedos do tocador.

História

O berimbau é uma adaptação dos arcos musicais africanos feitos de cabaça , já que nenhum povo indígena brasileiro ou europeu utiliza arcos musicais. [ 7 ] [ 8 ] Segundo o musicólogo Gerard Kubik, o berimbau e a “variedade do sudoeste angolano chamada mbulumbumba são idênticos em construção e técnica de execução, bem como em afinação e em vários padrões básicos tocados”. [ 9 ] A assimilação desse instrumento angolano é evidente também em outros termos bantos usados para arco musical no português brasileiro, incluindo urucungo e madimba lungungu. Em 1859, o jornalista francês Charles Ribeyrolles descreveu práticas livres de escravizados em uma fazenda na província do Rio de Janeiro , associando o berimbau ao batuque: “No sábado à noite, após a última tarefa de trabalho da semana, e nos feriados que proporcionam ócio e descanso, os negros têm uma ou duas horas da noite para dançar. Reúnem-se no seu terreiro, chamando, juntando e incitando uns aos outros, e a festa começa. Aqui está a capoeira , uma espécie de dança pírrica, com ousadas evoluções de combate, regulada pelo tambor do Congo ; ali está o batuque , com suas posturas frias ou indecentes que o urucungo , viola de cordas finas, acelera ou contém; mais adiante, é uma dança frenética onde o olhar, os seios e os quadris provocam. É uma espécie de convulsão embriagada que se chama lundu .” [ 10 ] O berimbau apareceu pela primeira vez como instrumento de acompanhamento da capoeira no início do século XX, na Bahia . [ 11 ] O berimbau passou lentamente a substituir o tambor como instrumento central do jogo de capoeira, função pela qual é hoje famoso e amplamente associado. [ 9 ]

Na Capoeira

Caxixi, moeda (dobrão ou pedra) e baqueta O berimbau é um elemento fundamental na capoeira , sendo reverenciado pelos capoeiristas antes de iniciarem um jogo. Alguns o consideram um instrumento sagrado. Ele comanda a roda de capoeira, dita o ritmo e o estilo de jogo. São dados nomes às variações de toques mais conhecidas, e quando se toca repetidamente um mesmo toque, diz-se que está jogando a capoeira daquele estilo. As variações mais comuns são "Angola" e "São Bento Grande". Na capoeira, até três berimbaus podem ser tocados conjuntamente, cada um com uma função mais ou menos definida. O gunga toca a linha grave, raramente com improvisações. O tocador de berra-boi no começo de uma roda de capoeira geralmente é seu líder, sendo seguido pelos outros instrumentos. O tocador principal do gunga geralmente também lidera a cantoria, além de convidar os jogadores ao "pé do berimbau" (para inciarem o jogo). o médio complementa o gunga. Por exemplo, enquanto o gunga toca um padrão simples de oito unidades, o médio pode tocar uma variação de dezesseis unidades. O diálogo entre o gunga e o médio caracteriza o toque. No toque São Bento Pequeno, o médio inverte a melodia do gunga, com alguma improvisação. O viola toca a maioria das improvisações dentro do ritmo definido pelos outros dois. O tocador do violinha harmoniza e quebra para acentuar as músicas. Não há muitas regras formais no toque do berimbau na capoeira, sendo que cada mestre de roda determina a interação entre seus músicos. Alguns preferem todos os instrumentos em uníssono, ao passo que outros dividem os tocadores entre iniciantes e avançados, requerendo dos últimos variações mais complexas. A afinação na capoeira é escassamente definida. O berimbau é um instrumento microtonal, e pode ser afinado na mesma altura, variando apenas no timbre. A nota baixa do médio é afinada com a nota alta do gunga, o mesmo se procedendo em relação ao violinha para com o médio. Outros gostam de afinar o instrumento em quarteto (dó-fá-si) ou em tríade (dó-mi-sol). No geral, a afinação depende da aprovação do mestre de roda. Em 1826, o artista francês Jean-Baptiste Debret retratou um tocador de berimbau em " Joueur d'Uruncungo ".

Categorias

Entre os capoeiristas, há uma divisão em subtipos de berimbau. Gunga ou berra-boi: tom mais grave. médio: tom médio. violinha ou viola: tom mais alto. Essas categorias relacionam-se ao som, não ao tamanho. A qualidade de um berimbau não depende do comprimento do arco nem do tamanho da cabaça, mas sim do diâmetro e resistência do arco e da qualidade sonora da cabaça. O berimbau de som mais grave conhecido por gunga também é chamado de berra-boi. Sendo que os dois capoeiristas mais antigos da atualidade, Mestre Ananias e Mestre João Grande utilizam a denominação de Gunga.

Toques

As variações dos toques (ritmos) do berimbau são inúmeras, entre elas: Angola : não toca a última batida da sequência básica São Bento Pequeno (ou Angola Invertido): similar ao Angola, mas com os tons altos e baixos invertidos   ; geralmente tocado com o berimbau médio, enquanto se toca o toque Angola no berimbau mais grave. São Bento Grande de Bimba (ou Regional): inventado por Mestre Bimba , geralmente tocado em um padrão de duas barras. São Bento Grande de Angola : adiciona uma batida extra ao toque São Bento Pequeno. São Bento Grande possui ainda uma variação regional. Iúna : toque para reverenciar aos antepassados. Cavalaria : usado no passado para avisar os capoeiristas da aproximação de policiais — existem variações. Santa Maria : uma transcrição em quatro barras dos corridos "Santa Maria" e "Apanha Laranja no Chão Tico Tico". Benguela : (xxL.H.H.) Entre outros toques, destacam-se o Idalina e o Amazonas, todos derivados do padrão básico da capoeira. Capoeiristas também tocam samba antes ou depois de jogarem capoeira, com toques próprios, derivados do samba de roda.

Notação

A maioria dos toques de capoeira deriva de uma estrutura básica de oito unidades Legenda . = pausa x = zumbido L = tom baixo H = tom alto (...) = compasso de 2 ou 4 batidas, 8 a 16 subdivisões/unidades (..|..) = dois ou mais compassos (Nota: todos os caracteres possuem o mesmo tempo)

A Técnica do Berimbau na Capoeira

Segura-se o berimbau com uma das mãos, à altura da cabaça; com a mesma mão, segura-se a moeda ou uma pedra de areia lavada que, durante o toque do instrumento, será, várias vezes, pressionada contra o arame, de forma a modificar o tom do berimbau. A cabaça posiciona-se à altura do abdome do tocador, pois este modifica-lhe o som, quando aproxima ou afasta a cabaça de seu corpo. Com a vareta na outra mão, executam-se as batidas no arame; e, na mesma mão da vareta, o tocador segura o caxixi , de forma a preencher o som da batida da vareta com o som do caxixi: uma espécie de chocalho.

Como arma

Mestre Pastinha recorda que os capoeiristas, durante o período de proibição, costumavam prender uma foice de lâmina dupla ao instrumento, transformando-o em uma arma mortal quando necessário: “No momento da verdade, deixava de ser um instrumento musical e se transformava em uma foice de mão.” [ 12 ] Mestre Noronha também afirmava que o berimbau era uma arma muito útil para os antigos mestres de capoeira da década de 1920 que resistiam à repressão policial. O berimbau era usado como arma tanto com uma das extremidades afiada quanto com uma lâmina presa a uma das pontas, tornando-o a arma de maior alcance da capoeira. [ 9 ] A prática de esconder armas dentro de instrumentos musicais remonta pelo menos ao início do século XIX. Em 16 de novembro de 1832, o inspetor de polícia do Rio relatou que os capoeiras escondiam lanças e armas em marimbas e pedaços de cana-de-açúcar . [ 11 ]

Instrumentos similares

Os siddis , da Índia , são descendentes de imigrantes oriundos da África Oriental . Eles tocam um instrumento parecido com o berimbau chamado malunga .

Mídia

Toque de angola no berimbau Tipo de toque de berimbau Problemas ao reproduzir este arquivo? Veja ajuda sobre media .
Características

Dados do instrumento

Família
Tradicionais
Categoria
Percussão
Subcategoria
Cordas percutidas
Origem
Brasil
Período
tradicional
Status
active
Classificação
tradicionaiscordas percutidaspercussao